
Fui pra noite hoje, depois de um longo e prazeroso recolhimento.
Vegas.
Fui preparada para voltar pensando em como é bom ficar em casa.
Senti sono na ida.
Tédio no começo.
Mas, de repente, inesperadamente, rolou.
Quando vi, já estava dançando (de olhinhos fechados, é bom que se diga.)
há horas.
Senti de novo bater a onda que, numa noite perdida, vários anos atrás,
me fez ficar louca por eles.
Tão louca, tão hipnotizada pela sensualidade do som que eles propunham,
que, por bem uns 4 anos, nunca mais perdi uma festa em que eles tocassem.
Me senti quase obrigada a conhecer, e ficar amiga, bem amiga, da dupla de djs
que me lembrava a cada noite, inexoravelmente, que o mundo é bem maior do que minha
(pequena/grande) obssessão pelo que eu chamava até então de música brasileira.
Era 2002. Eu tocava, desde 98, o que toco até hoje. Música Brasileira. Que acreditava, e ainda
acredito, ser rica a ponto da gente poder dançá-la por horas, dias, anos, sem nem notar que a nacionalidade era a mesma o tempo todo.
Luca e Liana me fizeram lembrar que o mundo é grande. Tão grande, que eles podiam fazer até Música Brasileira. Eletrônica. Falada. Irreverente. Sexy. Linda. Fiquei enlouquecida mesmo por eles, pelo NoPorn.
Eles, gostando de que eu fosse fan, começaram a me dar discos das jam sessions, eu comecei a tocá-los, e a querer que todo mundo os conhecesse. Várias pessoas amaram, outras tantas detestaram. Propûs um disco. Trabalhei (pencas) pra que o disco rolasse. E, enfim, depois de um tempão de gestação e de muitas forças concentradas, saiu o disco do NoPorn.
Saiu todo lindinho. Arte do Zarif, inúmeras madrugadas de dedicação com o mestre Dudu Marote, guitarras do Scandurra, letras absurdas.
Aí virou filho nosso, de nós 3, mesmo eu tendo adotado quando ele já quase tirava a fralda, o filho era (é) nosso.
E agora que ele já é gente grande, solto da gente, eu só quero que ele corra mundo.
Queria que todo o mundo, os caretas, as bichas, os padres, os modernos, os babacas, os radicais, os fashionistas, as velhas, os lindos, todo o mundo, pra odiar, pra amar, pra nada. Todo o mundo tinha que
ouvir NoPorn pelo menos uma vez na vida.